Deve-te parecer tudo porcelana sem nada lá dentro, sem ti, sem flores e sem risos, nem sequer mistérios, apenas umas formas cor de porcelana por pintar que te vão mostrando que o tempo passa.
Passa aos tropeções por esses brancos sólidos e até agradeces vagamente, nem sequer moves os olhos da tua mente pasmada num entorpecimento oco, tal é a tua determinação em que fique tudo como sempre te foi. E como podes tomar consciência que podes acordar se no final dos teus sonhos voltas a adormecer? Lês e entendes aqui que és o único que se importa com a tua vida, e assim deixas de estar paralisado nesse equilíbrio de forças ridículas e inócuas que é o narcisismo e a humilhação.
É que se ao menos olhasses para o monte de cacos que deixaste para trás, se soubesses o que eles suportaram delicadamente para ti, se desejar não fosse tão inútil e tu realmente o soubesses em vez de apenas o desejares, talvez aí tentar não seria tão difícil nem viver seria tão estranho.
Deixarias de ser uma porcelana sem nada lá dentro, sem ti, sem flores e sem risos, nem sequer mistérios, apenas cobardia.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Fica sempre tanto por te dizer (a ninguém em especial)
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